A geografia
São Jorge é uma ilha muito comprida tem 96 km de comprimento e apenas tem 8 km de largura máxima. tem uma área total de 246.25 km2. E cerca de 10.500 habitantes. A ilha de São Jorge foi criada por sucessivas erupções vulcânicas em linha recta ao longo das falhas tectónicas das placas Eurasiáticas, Americanas e Africanas. Destes movimentos da crosta terrestre restam crateras e montanhas, vales e serras, lagoas e fajãs, grutas e penedias, resta uma paisagem praticamente virgem e em constante mutação. Como ilha jovem que é, as suas arribas e falésias, montanhas e escarpas ainda não foram "amaciadas" pela erosão, apresentando assim uma paisagem agreste. A sua plataforma central tem a altitude média de 700 m, e tem como ponto mais elevado, o Pico da Esperança a situa-se a 1.085 m. A costa, escarpada e quase vertical, principalmente nas encostas voltadas a norte, é interrompida por pequenas superfícies planas a beira mar, as fajãs. Está situada a 38º 40' de Latitude Norte e a 19º 7' Longitude Oeste. No meio do Atlântico Norte.
Está a 35 km da Graciosa, a 36 km da Terceira, a 20 km do Pico, 150 km de São Miguel, 215 km de Santa Maria, 30 km do Faial, 155 das Flores e 170 do Corvo.
Toda a cordilheira central de montes e serras que se estendem a praticamente todo o cumprimento da ilha por uma extensão de mais de 65 km, estão na sua génesis ligadas as formações montanhosa que dão a forma á ilha. Estendem-se no sentido Sudeste Noroeste e mais ou menos paralelos á ilha do Pico que lhe fica muito próxima e mesmo em frente. Entre estas duas ilhas estende-se um braço de mar que é conhecido por: Canal de São Jorge, sendo as paisagens de uma beleza deslumbrante. A largura do canal que separa São Jorge do Pico é em alguns sítios de apenas 15 km.
As pontas ou cabos mais importantes são: a Ponta Ruiva, o Morro Grande, a Ponta de Rosais (no extremo final da ilha), Queimada, Garajáo, Castelletes, Calheta, Vicente dias, Mosteiros, Forcada e Pontinhas, isto na costa Sul. Na costa Norte temos: Fajã dos Cubres, Vinhas, Redonda, Da Caldeira (de Santo Cristo) Fajã do Belo, Norte Grande, Norte Pequeno, Vasco Martins, Furada (na localidade de TOLEDO), Rasa, Vieira, galego e gaivota.
A vila das Velas fica do lado Sul da ilha, no fundo de um escorrimento de lava proveniente das montanhas que lhe ficam a norte. Enclausurada entre a montanha e o mar as Velas resistem as intempéries e tem feito da sua posição geográfica o motor da sua evolução. Esta vila situada geograficamente mais ou menos a meio da ilha está na posição estratégica para servir de ponto de intercâmbio de pessoas e bens entre as ilhas do grupo central justamente por se encontrar no centro destas.
A ilha é dividida por dois concelhos o de Velas e o da Calheta. A linha divisória dos Concelhos situa-se na Ribeira Larga a Sul, e na Ribeira da Areia a Norte, estende-se em linha recta, como foi acordado pelas duas câmaras em 21 de Novembro de 1716.
São Jorge já teve três concelhos, sendo o terceiro o do Topo, composto então da sua única freguesia. Foi extinto por Decerto de 24 de Outubro de 1855 e anexado ao da Calheta.
HISTÓRIA
O povoamento desta ilha de São Jorge está envolto em mistério. A primeira referência tida como histórica e referente a São Jorge data de 1439 sabe-se no entanto que, por volta de 1470, quando já existiam pequenos povoados de colonos nas costas oeste e sul.
Também se sabe que o primeiro povoado se terá situado na parte da ilha que dá pelo nome de TOPO.
O nobre Flamengo William Van der Haegen, terá sido o primeiro povoador que a São Jorge aportou trazendo consigo muitos outros colonos provenientes da Flandres e de Portugal continental. Este nobre Flamengo William Van der Haegen traduziu o seu nome para o português como Guilherme da SILVEIRA, dando este nobre origem a todos os Silveiras de são Jorge e a quase todos os que daqui se espalharam pelas outras ilhas, continente e mundo em geral. Tendo-se fixado no TOPO, foi lá que criou a primeira povoação, tendo nela vindo a morrer, já com o seu nome traduzido para Guilherme da Silveira. Esta localidade do TOPO foi Concelho em 1510 desenvolvendo-se rapidamente arrastando consigo grande parte da ilha. A Vila da Calheta foi Concelho em 1534, sendo estes factos demonstrativos da vitalidade da economia que, além da vinha, dos cereais e inhames, tinha no cultivo do pastel e na colheita da urzela, exportados para a Flandres e outros países da Europa e usados na tinturaria, as suas principais produções. Estas plantas tintureiras foram de grande valor económico devido á sua grande utilidade. Para muitos historiadores fala-se inclusive "do Ciclo da urzela" dado o seu valor não em São Jorge mas nos Açores em geral.
Todos os habitantes de São Jorge têm na sua alma a influência do decorrer do tempo que fez a história universal. Uma influência própria, caracterizada por épocas, acontecimentos e ciclos por que passou a Ilha de São Jorge, os Açores, Portugal e o mundo em geral.
Esta prosperidade, rápida fez que a já capitania fosse doada, em 1483, a João Vaz Corte Real, donatário da cidade de Angra, na ilha Terceira. Ambição está numa economia que, além da vinha e do trigo, tinha no cultivo do pastel e na colheita da urzela, as suas mais importantes exportações para a Flandres e outros países da Europa.
A Ilha de São Jorge, aparentemente isolada no espaço, não só pelo seu carácter insular, mas pela falta de meios e de portos de qualidade mínima, foi no entanto sujeitada a ataques de piratas ingleses, franceses, árabes, turcos, argelinos e de outras nacionalidades que por estas águas andavam á procura de uma fortuna, se não a principio mítica rapidamente se tornou real com a passagem pelas águas do canal de centenas de Naus e Caravelas que procuravam o porto de Angra do Heroísmo (na altura Angra ainda não tinha ganho o Titulo de: ( MUIN NOBRE, LEAL E SEMPRE CONSTANTE CIDADE DE ANGRA DO HERÓISMO). Durante os séculos XVI e XVII e as devastadoras razias dos piratas turcos e argelinos, para muitos considerados os mais bárbaros e alcunhados de «Moiros no Canal».
Nos finais do século XVI, uma secção da esquadra comandada do Conde de Essex desembarcou na enseada da Calheta. Para os repelir, os habitantes juntaram-se em redor da estacaria do varadouro de onde, com a ajuda de fundas fizeram cair sobre os seus "amigos" bretões uma densa nuvem de pedras, únicas armas de que disponham, no meio da contenda já com luta em terra o famoso soldado chamado Simão Gato atinge o oficial da força inimiga, derruba-o e arranca-lhe a bandeira, levando a que os inimigos fugissem e que os Calhetenses pudessem festejar com alegria uma vitória que beneficiou toda a ilha.
No séc. XVIII, o corsário francês Du-Gnay-Trouin saqueia São Jorge e, no ano de 1816, um corsário argelino que procurava apoderar-se de um navio mercante carregado de materiais preciosos é atingido pelos tiros da já construída fortaleza da Calheta.
Com o lançamento de grandes e injustos impostos origina-se o «Motim dos Inhames», o primeiro grande grito de liberdade a seguir à Guerra da Sucessão faz com que as armas do Concelho de Calheta ostentem as folhas do inhame como símbolo.
A crise dinástica provocada no país pela subida ao trono de Portugal do rei
Filipe II de Espanha teve como não poderia deixar de ser os seus reflexos em São
Jorge, que, com a ilha Terceira, tomou o partido do pretendente ao trono
português D. António, prior do Crato, só vindo a render-se aos espanhóis com a
queda da ilha Terceira, em 1583. Novamente se segue um período de tempo em que a
ilha se mantém praticamente isolada, isto deve-se atribuir á queda do comercio e
ao abrigo precário que os seus portos ofereciam aos navios. Mesmo assim continua
a ser sujeita as ataques dos piratas ingleses e franceses durante os sécs. XVI e
XVII e às terríveis e devastadoras razias dos piratas turcos e argelinos.
Para a história de São Jorge há a registar muitas outras calamidades. São as privações e crises de alimentos em maus anos de colheita, desde o séc. XVI ao séc. XIX, os tremores de terra e erupções vulcânicas de 1580, 1757 e 1808.
A historia de São Jorge estaria incompleta de não se falasse das fajãs, superfícies planas que se estendem pelo mar provenientes de abatimento da falésia. Ali crescem férteis pomares, campos de cultivo do inhame, milho, legumes e em algumas delas crescem o café, o chá, frutos tropicais e belos dragoeiros. Estas terras baixas junto ao mar tem um microclima de estrema importância para a agricultura contribuindo no passado com uma grande parte da riqueza da ilha.
Estas fajãs estendem-se dos dois lados da ilha. Na costa norte, talvez as mais bonitas pela imensidão da falésia que as abriga oferecem por paisagem o azul marinho com os mares da Graciosa e Terceira em fundo. Na encosta sobranceira temos Penedia, fajã do Norte Pequeno, fajã dos Cubres com o seu miradouro e a fajã da Caldeira de Santo Cristo, com as suas lagoas marinhas onde se criam as amêijoas, entre estas fajãs do Norte temos a Fajã da ponta Furada onde no extremo de um promontório se abre um buraco imenso. Ao seu lado temos uma fajã que está entre as maiores da ilha a fajã de Vasco Martins, onde se produziu muito bom vinho, inhames, frutos dos mais variados entre muitos outros produtos.
O TOLEDO: cujo nome indica Ter tido origem na localidade Espanhola do mesmo nome, é uma povoação situada a Norte da Ilha. A sua ermida foi-lhe oferecida pelo Dr. José Pereira da Cunha da Silveira e Sousa, o mais rico Proprietário da ilha em 1862. No Entanto a primeira pedra só foi lançada em 14 de Junho de 1876. A primeira missa nela celebrada foi em 16 de Maio de 1889. Esta capela está dedicada a São José. Nas costas marítimas do TOLEDO fica a fajã Rasa, fajã de Manuel Teixeira (mais conhecida como Fajã do Meio) a já citada de Vasco Martins. Nesta fajã de Vasco Martins deu á costa em 22 de Março de 1864 um navio Espanhol de nome Algorta carregado de Algodão de outras materiais, deixando o seu lastro espalhado pelo fundo, facto que ainda hoje é possível ver pelo rasto de pedras de cor esverdeada que brilham no litoral. Ainda se acredita entre os mais antigos do povoado que o rastro são esmeraldas, pedras preciosas de cor verde, de que o navio vinha carregado.
Ainda na costa do TOLEDO existe um promontório grandes dimensões, promontório esse que é furado de um lado ao outro, facto que o torna único nos Açores, e talvez no mundo. Este local é conhecido por Ponta Furada. Alem da sua majestosidade como parte da paisagem, a Ponta Furada está ligada á emigração clandestina, pois durante vários séculos por ali partiam muitos homens em demanda de terras do Novo Mundo, partiam em barcos Baleeiros, pagando as suas passagens com o trabalho que a bordo faziam. Ainda hoje é possível ver neste penhasco agreste as argolas de ferro fixadas nas rochas onde os barcos eram amarrados durante o processo de embarque.
Pelo sul, num percurso paralelo ao Pico e ao Faial temos talvez a mais antiga fajã habitada de São Jorge a aristocrática fajã de São João, onde se produziram vinhos de excelentíssima qualidade e onde o Dr. José Homem de Noronha possuía uma grande extensão de vinhedos das castas Verdelho e Terrantês que juntamente com os vinhos que produzia na Urzelina eram engarrafados na Villa Maria, em Angra.
VELAS

Quem sair da Vila das Velas e for até a costa do morro da Ponta das Eiras, fim da pequena planície onde assenta a vila, descobre uma paisagem fascinante e pode deliciar-se com a Natureza que se abre sobre o miradouro da vila. Se subir ao morro a paisagem é quase de cortar a respiração. Não só pelo precipício que do morro se abre a nossos pés mas pela vista das Velas e de grande parte da costa.
Nos arredores das Velas existem, varias fajãs como é o caso da fajã da Queimada, com miradouro debruçado sobre o aglomerado de tipo citadino que é hoje a vila. Famosa também por ter sido palco de uma erupção vulcânica recente.
O fascínio da vila das Velas reside na sua arquitectura e na sua posição geográfica ao fim de uma serra, apertada entre esta e o mar. tem um belíssimo porto de mar, construído em 1647, ligado ao crescimento da própria ilha, abrigado pela imensa falésia que lhe fica acima é muito abrigado.
É no concelho de Velas que esta o aeroporto, com uma pista de 1200 metros.
Um dos mais belos percursos turísticos parte de Velas direito á Baia de Entre Morros, o Parque Florestal das Sete Fontes, passa pela Ponta dos Rosais, com o seu farol quase destruído pelo terramoto de 1980, daqui pode ver-se ao longe a fajã da Ponta Ferrada, deve passar-se pela Urzelina.
Pelo seu interessa histórico, o edifício dos Paços do Concelho é um dos mais importantes edifícios das Velas, é um raro exemplo do barroco Açoriano. Tem um muito importante espólio referente aos séculos XVI e XVII. A Igreja Matriz de Velas foi mandada construir por testamento do INFANTE D. HENRIQUE, tendo no seu interior uma rica colecção de arte sacra dos séculos XVII e XVIII. O seu altar-mor, de talha dourada, é digno de figurar no conjunto dos mais belos exemplares da arte sacra portuguesa. Esta Igreja foi construída em 1460 tendo várias capelas. A Igreja de S. Francisco, com galilé e cornijas de lava negra, feitas com a matéria prima da ilha, assenta numa nave enriquecida por talha dourada do séc. XVII.
As Velas pode dizer-se que é a capital da ilha, fica a 15km da ponta de Rosais e a 50 km do Topo.
Esta vila era convenientemente fortificada sendo a sua costa defendida por muralhas fechadas por portões, restando apenas actualmente o portão do cais construído em bela e sólida cantaria que desde 1797 dura até aos nossos dias. Foi construído pelo pedreiro Matias Avelar. Este porto é um dos melhores dos Açores, situa-se numa grande baía funda e espaçosa.
Em 1612 já possuía canhões de ferro e bronze, algumas das suas fortificações foram mandadas construir por El-Rei D. Sebastião em 4 de Julho de 1572.
Monumento de interesse é a Igreja de Santa Bárbara, construção muito antiga, edificada em traça barroca joanina. Tem arco e capela-mor de rica talha, tecto de cedro trabalhado, uma belíssima colecção de azulejos sobre a vida de Santa Bárbara e sacristia de arcazes. É um dos templos mais ricos da ilha e é está considerado imóvel de interesse público.
CALHETA

A Calheta foi Sede de concelho desde muito cedo por carta Régia de D. João III, emitida da sua Corte em Évora, Esta localidade foi construída paralela á costa e o seu casario branco entre o verde da falésia que lhe fica sobranceiro qual veleiro de velas brancas no meio do mar.
A sua bela Igreja Matriz com a capela Mor com talha dourada, e uma imagem da padroeira (uma escultura primitiva) e um interessante candelabro, é um local que se deve visitar.
Nesta localidade como em tantas outras dos Açores sobressai a lenda da Tia Fiandeira que se encontra ligada ao artesanato local. Também a lenda do Juramento Falso ou Canada do Inferno, a lenda da Escrava Encantada, dão um belo contributo para o rico romanceiro e cancioneiro açoriano.
Este Concelho, como aliás, toda a ilha de São Jorge é um paraíso para o pescador desportivo e para mergulhar na observação submarina, com uma enorme abundância de peixes em todo o litoral.
Mas é nas paisagens, as vistas das altas montanhas, feita de amplos horizontes, na sucessão dos planos verdejantes das pastagens que está o fascínio da terra, o seu mistério e encanto. É esta terra rude e bela que faz os seus povos e molda os seus costumes, contribuindo de forma indelével para aquilo que eles são.
FESTAS
Os habitantes de São Jorge têm, todos os anos, uma explosão de cores vivas, de alegria, de confraternização. São as famosas Festas do Espírito Santo, cuja memória e espírito caritativo recua ao tempo dos povoadores, perdendo-se no entanto o seu verdadeiro significado em tempos muito mais antigos ligados as festividades das colheitas em alturas dos solisticíos. Estas festas começam com a coroação do imperador, homem do povo, que reina por um dia. Prossegue com a exposição da coroa, durante 8 dias, no trono feito em casa dos mordomos. E acaba no dia da festa do império, em que uma refeição é servida, os "foliões" vão cantando velhas melodias acompanhadas por tambor, à tarde, as filarmónicas animam o ambiente. Em alguns locais fazem-se touradas à corda, tradição que provém da ilha Terceira.
Festa sem música e dança não é festa. Por isso, os homens e
mulheres de São Jorge repetem velhas modas, comuns ao folclore açoriano, como a
chamarrita, a sapateia, o sã-macaio, o Pezinho, e enchem os ouvidos com os
ritmos, sempre alegres, das filarmónicas da ilha.
A viola de arame, é um Instrumento trazido pelos povoadores dos sécs., XV e XVI,
a viola sofreu, pelo isolamento das ilhas, adaptações que a diferenciam, em
alguns pormenores, das violas populares usadas no continente. E mesmo em outras
ilhas dos Açores.